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domingo, 10 de Janeiro de 2010

Doença do Mosaico da mandioca (CMD)


Distribuição

A doença do Mosaico da mandioca (CMD), foi descrita pela primeira vez em 1894 naquilo que é hoje a Tanzânia. A doença foi depois reportada em muitos outros países da África Oriental, Ocidental e Central. Agora sabe-se que esta doença ocorre em todos os países de África que cultivam mandioca e nas ilhas vizinhas bem como na Índia e Srilanca. Um relatório de 1931 sobre esta doença na Indonésia refere que ainda não foi confirmada e o CMD na América do Sul é causado por um vírus completamente diferente. Existem grandes diferenças entre regiões no concernente à total prevalência do CMD e na severidade dos danos causados. Informações disponíveis a partir de prospecções e diagnóstico das perdas de produções estão sumarizadas por Tresh et al. (1997), que estima as perdas em Africa entre 15-20%. Isto é equivalente a 15-28 milhões de toneladas comparado com a última estimativa de produção da FAO para 1996 em 85 milhões de toneladas.

Agente Causador

Desde que o CMD foi pela primeira vez descrito assumiu-se como sendo um vírus o seu agente causador, na ausência de qualquer agente patogénico visível. Este ponto de vista era consistente com os resultados de primeiros estudos que indicavam que a doença era transmitida pelo vector mosca branca. Contudo, prova de etiologia viral nunca tinha até então sido obtida senão nos anos 70 e 80 altura em que inoculações de seiva em hospedeiros herbáceos foram um sucesso e estirpes de vírus assim obtidos foram purificados e caracterizados. Depois de alguma incerteza inicial foi demonstrado que as estirpes causavam CMD. Postulados de Koch foram concretizados e as várias estirpes de África e Índia eram conhecidas como estirpes de um vírus do grupo geminivirus designado por vírus do mosaico da mandioca. Algo que aparenta ser um híbrido combinado entre ACMV e EACMV tem sido reportado em Uganda, Kenia e Sudão e designado ‘Ugv’. As diferentes Viroses têm propriedades muito semelhantes e são todos membros da recém criada família: Geminiviridae; Generus; Begomovirus (Tipo membro doVirus do Mosaico dourado do feijão). Cada uma das geminivirose do Mosaico da Mandioca (CMGs) pode causar CMD e há evidência segundo a qual combinações de vírus provocam mais danos que simples infecções.

Estes resultados foram apenas obtidos recentemente em estudos levados a cabo pelo Scottish Crop Research Institute, Dundee, e em outros lugares conforme descrito em recente Publicações (Harrison et al., 1997; Thresh et al., 1998 a; Rey e Thompson, 1998). Não são ainda conhecidas todas as implicações pois é necessária uma informação adicional sobre a distribuição das diferentes viroses e da interacção entre elas. Entretanto, em África ou Ásia é normal referir-se ao CMD como sendo causado por CMGs.

Não há justificação para se referir a doença em separado como sendo Indiana, da África Ocidental, Africana ou Sul-africana o que pode criar uma confusão desnecessária e incertezas dadas as limitadas facilidades existentes em muitas partes de África para a detenção e caracterização de vírus ou viroses presentes em plantas afectadas por Mosaico.

Sintomas

Os sintomas do CMD ocorrem sob a forma característica de mosaico da folha que afecta discretas áreas e é determinado no estágio precoce do desenvolvimento da folha. As áreas não se expandem completamente de modo que o stress resultante de numa expansão desigual das folhas ou brotos causa má-formação e distorção. As folhas severamente afectadas tornam-se pequenas em tamanho, deformadas e torcidas com áreas amarelas separadas por áreas de uma cor verde normal. As plantas ficam raquíticas e as novas folhas caiem (Storey e Nichols, 1938, Cours, 1951).

A clorosis das folhas pode ser amarelo pálido ou quase branca com pouca verdura ou apenas mais pálido do que o normal. As áreas cloróticas são geralmente bem demarcadas e variam em tamanho relativamente às da folha completa para pequenas manchas ou nódoas. As pequenas folhas(folhetas) podem apresentar um desenho de Mosaico uniforme ou o desenho do mosaico pode estar localizado em pequenas áreas que ficam sempre nas bases das mesmas. Distorção, redução no tamanho da folheta, e atrofiamento geral aparecem como efeito secundário associado aos sintomas severos.

Os sintomas variam de folha para folha, de rebento para rebento e de planta para planta, mesmo dentro da mesma variedade e estirpe de vírus na mesma localidade. A variação nos sintomas pode ser por causa das diferenças nas estirpes de vírus, a sensibilidade do hospedeiro, idade da planta e factores ambientais tais como, fertilidade do solo, disponibilidade em humidade do solo, radiação e em particularmente a temperatura. As temperaturas baixas geralmente aumentam o aparecimento de sintomas enquanto as temperaturas altas restringem-nos.

Algumas folhas situadas entre as afectadas podem parecer normais e aparentar recuperação. Este comportamento depende da temperatura ambiental e da resistência da planta hospedeira. Contudo os sintomas podem aparecer nas plantas recuperadas quando as condições ambientais forem favoráveis para o aparecimento de sintomas. As primeiras folhas produzidas por uma estaca afectada, não apresentam, às vezes, sintomas, e são seguidas de folhas severamente afectadas mas há tendência de diminuir os sintomas com a idade das plantas, principalmente nas variedades resistentes. Os sintomas tendem a reaparecer no desenvolvimento das axilas depois da remoção das pontas dos rebentos e este procedimento é as vezes adoptado rotineiramente para aumentar a expressão dos sintomas em ensaios de resistência.

Transmissão e Propagação

CMGs são disseminados nas estacas usadas rotineiramente como propagação vegetativa. Eles são também transmitidos pela mosca branca Bemisia tabaci Gennadius. Outras duas espécies de mosca branca (Bemisia afer Priesner & Hosny e Aleurodicus dispersus Russel) também infectam a mandioca em África e Índia, mas ainda não foram testadas como possíveis vectores. A disseminação através de estacas pode causar a introdução de CMD para novas áreas e ser responsável pela ocorrência de doença nas áreas onde há pouca ou nenhuma propagação pela mosca branca. A propagação entre plantas é através da mosca branca e pode ser rápida nalgumas áreas, como demonstrado pelas experiências na Costa de Marfim, Nigéria e Uganda.

Maneio

A metodologia básica para controlar o CMD é através da selecção das estacas de propagação a partir de plantas -mãe sem sintomas. Isto é raras vezes feito preferindo-se dar maior uso ao material proveniente de plantas infectadas; contudo há uma considerável evidência das vantagem a ganhar dum conceito mais discriminatório e dum procedimento de selecção mais apropriado a adoptar (Thresh et al. 1998 b). A selecção é mais fácil e pode ser muito efectiva se as plantas-mãe estiverem a desenvolver vigorosamente e mostrarem sintomas visíveis quando infectadas. Dificuldades podem ocorrer quando as plantas são resistentes e apresentam sintomas não nítidos, ou quando as folhas caiem ou são danificadas depois de um período de seca ou ataque de pestes.

Há muito tempo que foi reconhecido que algumas variedades são resistentes ao CMD e toleram pouco ou nenhum dano quando infestadas. Tais variedades foram amplamente utilizadas como testemunha. Contudo elas nem sempre estão disponíveis ou não têm todas as características que os camponeses precisam. Isto explica porque é que as variedades susceptíveis ainda são largamente cultivadas, especialmente nas áreas onde o CMD não prevalece ou não constitui um problema sério, e não há boas razões para adoptar as variedades resistentes ao vírus.

Poucos insecticidas são utilizados para controlar a mosca branca e tais medidas são inapropriadas para a cultura de mandioca que é principalmente cultivada para subsistência. Pouca atenção foi dada a outros possíveis métodos de controlo tais como consociação, disposição de plantas ou a manipulação de época de sementeira para diminuir o risco de infecção (Tresh and Otim – Nape, 1994). Tais medidas merecem uma menção na presente pesquisa de métodos integrados de controlo, que procura tornar o mais efectivo possível o uso da fitosanidade e de variedades resistentes.

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